


Diretora de grande apuro visual e de sensibilidade musical, Sofia Coppola faz um filme considerando que Maria Antonieta seria uma mercadoria liberada da Áustria diretamente para a corte francesa. Encapsulada pela distância da família, frieza do marido e repulsa pelo "estilo-de-vida-da-corte", Maria Antonieta cria para si um universo próprio. A maneira de Sofia mostrar esse universo se transmite em : música cotemporânea (principalmente a dos anos 80), figurinos que de tão trabalhados que nos dão a impressão de um conto de fadas, montagem acompanhado a cadência da trilha, com certos momentos mais parecendo um imenso videoclipe. Aqui vale ressaltar seu acerto na escolha das músicas, que não só se resolvem como se tornam algo único, não dando para pensar em dissociá-las das cenas. Nos aspéctos técnicos o comparo a Barry Lindon, com visual exuberante das roupas, cenários riquíssimos, diferenciando na fotografia, que em Barry Lindon é amplamente baseada na iluminação natural e em Maria Antonieta é criado um aspecto "plástico", um excesso, quase que como que se as pinturas que retratam a corte ganhassem vida.
A diretora retoma aqui muitas aspectos de seu filme anterior Encontros e Desencontros, onde Charlotte, longe da família e num casamento problemático se perde nas ruas de Tóquio procurando sentido a sua vida. De certa forma Sofia faz de Charlotte e Maria Antonieta uma só. Ambas perdem seu olhar no horizonte, uma na Tóquio cosmopolita, outra nos imensos jardins franceses. As festas se repetem, incluindo ai as músicas. Ela basicamente "conta a mesma história" seja no Japão atual ou na corte francesa do século XVIII.
O filme é acusado de ser superficial. E é extremamente superficial, diferenciando bastante de filmes passados em época semelhante, onde o fardo de se mostrar um grande fato ou passagem é mostrado por vezes de forma acadêmica e engessada. Em Maria Antonieta não, não há essa proposta em nenhum momento, o fio narrador reside em Maria do início ao fim, inocentando-a de tudo qua acontecia ao seu redor por pura ignorância do que acontecia a sua volta pelo isolamento da corte com a população. Enfim, Sofia nos deu nova visão de uma das personagens mais marcantes da história recente. Se não foi bem assim, isso é cabe aos historiadores discutir, não a arte. *****
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É engraçado como ao vermos os filmes de Almodóvar parece que estamos vendo vizinhos, amigos, compadres, tamanha cumplicidade, de ações e de falas, que não nos parecem vir de um local muito frequentado. Depois de dois filmes que focam o universo masculino(Fale com Ela e Má Educação), Pedro Almodóvar volta a narrar sua história através de mulheres, fazendo um filme tão bom quanto seus últimos. É engraçado como ele consegue fazer um filme de com clima homoerótico, tenso, angustiante e carregado e, em seguida, uma "comédia" com comadres, vizinhas que, ao vermos, nos parecem ser conhecidas à tempos.
Muito foi dito sobre seu amadurecimento cinematográfico de alguns filmes prá ca, quando ele absorveu o melodrama como ponto fundamental de seu roteiro, mas com Volver você assiste, pensa, é um drama?comédia?...os dois?
Assistindo duas vezes não consegui definir, e constatei que mais pessoas não conseguiram: o site the numbers.com o classifica como comédia, o IMDB como comédia/drama e o Globo de Ouro concedeu a Penélope Cruz uma indicação de Atriz em drama.
Todas as atrizes funcionam bem mas Penélope Cruz puxa todos os holofotes para si, com uma grande atuação, pelo menos a melhor que eu vi, de sua carreira. As mulheres de Almodóvar não são 'ou santas ou demônios' são mulheres, que mentem de vez em quando, que falam das outras de vez em quando e que se entendem e se ajudam. *****